Área de Competência: Base
Descrição da UFCD: CLC 6
• Recorre a terminologias específicas no âmbito do planeamento e ordenação do território, construção de edifícios e equipamentos.
• Compreende as noções de ruralidade e urbanidade, compreendendo os impactos no processo de integração socioprofissional.
• Identifica sistemas de administração territorial e respectivos funcionamentos integrados.
• Relaciona a mobilidade e fluxos migratórios com a disseminação de patrimónios linguísticos e culturais.
Portugal é um País de contrastes marcantes que se observam tanto na paisagem como no povoamento e no desenvolvimento económico. O relevo apresenta uma vigorosa oposição entre as duas metades separadas do rio Tejo. A Norte, mais montanhoso e com profundos vales, e a sul, dominado por planícies onduladas e bacias de depressão.
O curso do Tejo actua como uma linha diferenciadora entre duas realidades, a do Norte e a do Sul. A população portuguesa distribui-se de modo irregular no território, a densidade média de população é superior onde o clima e as características do solo favorecem historicamente a proliferação da agricultura e o povoamento, diminuindo para valores sensivelmente mais baixos no Sul.
São diferentes os usos impostos ao solo, aproximadamente um terço da superfície nacional é cultivável, a norte, o principal cultivo é a videira que produz vinhos de fama internacional e a Sul pelas regiões mais secas, predomina a oliveira, o trigo completando assim a trilogia mediterrânea.
A agricultura familiar guarda na sua trajectória histórica um importante papel no desenvolvimento económico e social dos países e regiões. Ela representa uma valorização dos consumidores aos produtos agro artesanais, estes produtos têm geralmente a representação de uma determinada marca, como é o caso de queijos, requeijão, doces, enchidos, produzidas em algumas regiões da Beira Alta. Com esse pano de fundo objectiva-se neste estudo qualitativo analisar a indústria rural como estratégia de reprodução da agricultura familiar, relacionando-a ao desenvolvimento local, moldando e transformando a forma destes, e estabelecendo relações de cumplicidade.
São diversos os tipos de ocupação do homem no território, tanto na dimensão como nas características. Cada cidade tem uma estrutura urbana que é construída por diferentes áreas funcionais diferenciadas conforme a predominância das funções. No núcleo da cidade concentram-se os serviços, tendo a sua volta o comércio, seguido da habitação e numa auréola mais exterior a indústria e bairros fronteiriços, sendo a sua maior funcionalidade o dormitório.
Nas regiões costeiras localizam-se as mais populosas cidades do país, Lisboa e Porto, que actuam como principais áreas receptoras da corrente migratória. A concentração de populações, fazia-se nas encostas por uma questão de defesa e também de comércio e transporte de produtos via marítima, enquanto no Norte interior, Braga, Coimbra e Viseu, entre outras, um dos motivos de atracção de populações era o caso das minas, matérias-primas ou fontes de energia. A riqueza natural que envolve a nossa cidade e que se espalha pelo concelho é digna de nota, proporcionando bons momentos ao ar livre. Tal, passa pela preservação das vias de comunicação propícias às caminhadas, proporcionando a todos um contacto com a natureza e com as culturas das regiões visitadas, sem esquecer a possibilidade do visitante desfrutar das actividades. Ambiente acolhedor, jardins, fontes, estátuas, sombras, convidam ao lazer, ao descanso, à reflexão e ao conhecimento da flora. A melhoria das vias de acesso, seja pela construção de novas estradas ou da implementação de novos meios de transporte, tais como o teleférico ajudam a atrair visitantes em busca do meio rural e urbano. Este movimento de pessoas, motivado por atracções turísticas e de lazer, não só é um privilégio para os visitantes como também o é para os agricultores, comerciantes e proprietários de restaurantes das zonas valorizadas, pois é tudo criado a pensar na vida dos cidadãos, não deixando de ser um atractivo para os visitantes que vêm do espaço urbano e pretendem conhecer o meio rural, desfrutando de umas férias relaxantes em contacto com a natureza. São locais como estes que fazem de Viseu um lugar tão especial para viver ou visitar e…descobrir!
A urbanidade está profunda e sistematicamente estudada. Das formas construídas à estrutura urbana, da economia aos aspectos sociais, a cidade foi analisada nas suas razões, princípios e vivências.
Nas zonas rurais, normalmente o povoamento é feito por casas à volta da Igreja, fonte que costuma situar-se na praça principal da aldeia ou vila, espaço relacionado e direccionado para o cultivo da terra e sendo esta o maior meio de subsistência. Sociologicamente predominam os fortes laços de parentesco, tendo a família, um significado social muito grande, e as óptimas relações de vizinhança constituem a base tradicional da solidariedade.
Vila Nova, terra de meus pais e avós, onde nasci e cresci, é ainda hoje, uma aldeia cheia de tradições.
As diferentes formas de estruturar a ocupação do espaço resultam de utilizações e de princípios diversos de agir no território. São vivências e maneiras de fazer características únicas.
Sendo Vila Nova uma aldeia do interior beirão, o seu clima pode-se considerar um tanto quente e seco no verão. Os invernos costumam ser rigorosos, com muita chuva, geadas e por vezes de neve, o que traz dores de cabeça aos pequenos agricultores.
Os pequenos agricultores existentes ocupam-se da produção para auto consumo de cereais (milho e centeio), batata, vinha, árvores de fruto e alguns terrenos de lameiro.
Existe também a actividade pecuária onde se insere o gado ovino, caprino e muar.
No que diz respeito à indústria, temos a serração, aviários, móveis e alumínios. O pequeno comércio também está presente como é o caso de cafés ou minimercados.
Hoje, com o progresso, este pequeno comércio vai-se acentuando cada vez mais devido aos sucessivos investimentos de capitais forasteiros
O Artesanato na nossa localidade é composto pelas flores de papel, as rendas os bordados e os cestos de vime.
Temos também o fabrico de mantas de farrapos em tear manual, o fabrico de broa de milho e os canastros (espigueiros).
Todas estas artes são feitas com muito “amor” por especialistas.
Um desses especialistas é a minha mãe, que ainda hoje faz uma broa de milho tão saborosa que não há igual.
Foi tradição, durante muitos anos que um dia por semana, juntavam-se no pátio de uma das casas da aldeia, um grupo de mulheres com a finalidade de cozinharem o pão de milho, a dita broa.
Carecemos de um projecto nacional que encare o nosso mundo rural como parte integrante da nossa riqueza, porque é a sua herança que nos faz únicos num mundo cada vez mais estandardizado e é aí que podemos encontrar as raízes da nossa identidade.
Um fenómeno observável é o movimento urbano que tende a alastrar-se no mundo rural onde não deixa de se dar o intercâmbio social, regional e nacional devido ao trabalho, à especialização das culturas, das facilidades de transportes, de todo o movimento que predomina na cidade.
Portugal conta hoje com uma população que ronda os dez milhões de habitantes. Apesar de ter sofrido alguns períodos de estagnação, (o episódio da gripe em 1918 que fez aumentar a taxa de mortalidade até 40%), a população duplicou durante o século XX. No entanto, esta tendência de alta viu-se compensada nos anos 60 com a emigração de um milhão de portugueses para os países mais desenvolvidos da Europa.
O sonho dos portugueses numa vida melhor passou a estar do outro lado da fronteira. Por necessidades económicas, de natureza social, religiosa e política, mais de um milhão e meio de pessoas sai de Portugal, perto de um milhão vai para a França, atravessam a Espanha e os Pirenéus clandestinamente, muitos deles instalam-se nos bairros de lata no periférico de Paris.
Naquele tempo as viagens demoravam meses, os transportes eram lentos e escassos e os emigrantes percorriam metade do globo para chegar ao local de trabalho.
Lembro-me, ainda era eu apenas uma criança, os meus irmãos emigrarem para a França clandestinamente, pois não conseguiam os documentos legais para lá poderem trabalhar, e quando nos escreviam a dar noticias, contavam como tiveram de passar as fronteiras a pé, pondo em risco a própria vida.
Por conseguinte, começava a face negra de todo o processo, a brutal exploração dos imigrantes ilegais. Não podendo recorrer às formas legais de emigração, eles viam-se obrigados a recorrer frequentemente a redes de mafiosos, cujo único objectivo era extorqui-los.
A actual legislação portuguesa sobre imigração, caracteriza-se por ser demasiada limitativa, por conseguinte estimula a exploração dos imigrantes ilegais. Calcula-se que existam mais de 100 mil imigrantes ilegais em Portugal.
Nos anos 80, numa altura em que Portugal mergulha numa profunda crise económica, assiste-se a um aumento da imigração ilegal, proveniente sobretudo de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e também de S. Tomé e Príncipe. Em meados dos anos 90, o problema dos imigrantes atingiu em Portugal tais dimensões, que o Estado começou a encarar o problema como uma questão nacional a resolver.
As maiorias destes imigrantes eram ilegais e começaram a fixar-se em barracas em Lisboa ou nas suas periferias. Mas onde há grandes aglomerados populacionais também há grandes problemas: As condições de acolhimento destes imigrantes foram as piores que se possam imaginar, agravando os problemas sociais, devido às degradantes condições de trabalho, habitação, assistência social, apoio social, apoio familiar e educativo. Também a necessidade de bens como infra-estruturas, equipamentos, transporte, saneamento básico, tudo o que é necessário para que uma população possa ter qualidade de vida. É chocante ao depararmos com o aumento da poluição que é directamente proporcional ao aumento da população.
È imperioso identificar e prever necessidades, definir objectivos, estabelecer programas e implementar projectos, visando acima de tudo, o que devem ser as suas preocupações de base: melhoria das condições de vida das populações, redução das assimetrias socioeconómicas regionais, utilização racional dos recursos existentes e minimização dos desequilíbrios ambientais.
O crescimento rápido destes bairros de barracas de imigrantes, a falta de condições mínimas, levou a que alguns desses bairros, sobretudo aqueles que se encontram à volta de Lisboa, se tornassem tristemente célebres pelas piores das razões – criminalidade, xenofobia, pobreza, tráfico de droga, violência, crime organizado. Um dos graves problemas é a diferença de oportunidades, o que promove a exclusão social, é essencialmente a falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros.
Os factores económicos podem ser decisivos na explicação de grande parte das situações de exclusão social, consequentemente também a dimensão económica da integração, assume uma importância crucial, quer na perspectiva da inserção, ou seja, o procedimento assumido pelos indivíduos e famílias, quer na da inclusão que é a mudança da sociedade que reforça e abre as oportunidades que oferece aos seus membros.
Em relação a este tema relatei uma vivência que tenho em anexo.
O homem só consegue sobreviver e realizar-se desde que integrado na sociedade, logo, é natural que a sua primeira preocupação seja em conseguir ser aceite no meio em que pretende viver. O homem e as instituições fizeram sempre relações públicas no sentido de obterem aceitação social e um dos processos indispensáveis de que ele se serviu para o conseguir, foi e continua a ser a comunicação. É através de uma língua que podemos comunicar com os outros.
A língua é uma forma de linguagem, um processo de signos vocais, que podem ser retratados graficamente, comum a um povo, a uma nação, a uma cultura e que constitui o seu instrumento de comunicação. No entanto, o próprio português falado em Portugal tem diferenças de região para região, como nos podemos aperceber por exemplo na pronúncia do Minho em relação ao Alentejo.
No que diz respeito ao uso linguístico apropriado para a inserção em contexto socioprofissional, elaborei cartas de apresentação e o Curriculum Vitae.
Analisámos alguns contos de Eça de Queirós, o conto “No Moinho”. Analisámos a história sobre a gestão de uma vida pessoal, (Aia), focalizando os seguintes domínios; meio, educação e hereditariedade. Estes três factores estão intrinsecamente conjugados sendo impossível avaliar qual o que tem maior influencia no individuo.
“Filho és pai serás, assim como fizeres assim acharás.” Este provérbio faz parte da cultura tradicional portuguesa, fala-nos genericamente da hereditariedade e da educação.
Esta é a letra de uma marcha que tem passado de geração em geração e é cantada e dançada pelos jovens em todas as festas populares que frequentemente se realiza em Vila Nova do Campo.
Canção de Vila Nova
Vila Nova, terra querida Anda prá frente
Oh ai, a terra onde eu nasci Sempre contente
És a terra dos encantos E nem sequer nos mandam parar
Oh ai, por isso gosto de ti Ai Vila Nova, ajardinada
Nasce do prado, sem se molhar
Vila Nova, terra do amor
Que tens no peito, tanta alegria
És a terra mais bonita
Pois tens no seio Santa Luzia
Descrição da UFCD: CLC 6
• Recorre a terminologias específicas no âmbito do planeamento e ordenação do território, construção de edifícios e equipamentos.
• Compreende as noções de ruralidade e urbanidade, compreendendo os impactos no processo de integração socioprofissional.
• Identifica sistemas de administração territorial e respectivos funcionamentos integrados.
• Relaciona a mobilidade e fluxos migratórios com a disseminação de patrimónios linguísticos e culturais.
Portugal é um País de contrastes marcantes que se observam tanto na paisagem como no povoamento e no desenvolvimento económico. O relevo apresenta uma vigorosa oposição entre as duas metades separadas do rio Tejo. A Norte, mais montanhoso e com profundos vales, e a sul, dominado por planícies onduladas e bacias de depressão.
O curso do Tejo actua como uma linha diferenciadora entre duas realidades, a do Norte e a do Sul. A população portuguesa distribui-se de modo irregular no território, a densidade média de população é superior onde o clima e as características do solo favorecem historicamente a proliferação da agricultura e o povoamento, diminuindo para valores sensivelmente mais baixos no Sul.
São diferentes os usos impostos ao solo, aproximadamente um terço da superfície nacional é cultivável, a norte, o principal cultivo é a videira que produz vinhos de fama internacional e a Sul pelas regiões mais secas, predomina a oliveira, o trigo completando assim a trilogia mediterrânea.
A agricultura familiar guarda na sua trajectória histórica um importante papel no desenvolvimento económico e social dos países e regiões. Ela representa uma valorização dos consumidores aos produtos agro artesanais, estes produtos têm geralmente a representação de uma determinada marca, como é o caso de queijos, requeijão, doces, enchidos, produzidas em algumas regiões da Beira Alta. Com esse pano de fundo objectiva-se neste estudo qualitativo analisar a indústria rural como estratégia de reprodução da agricultura familiar, relacionando-a ao desenvolvimento local, moldando e transformando a forma destes, e estabelecendo relações de cumplicidade.
São diversos os tipos de ocupação do homem no território, tanto na dimensão como nas características. Cada cidade tem uma estrutura urbana que é construída por diferentes áreas funcionais diferenciadas conforme a predominância das funções. No núcleo da cidade concentram-se os serviços, tendo a sua volta o comércio, seguido da habitação e numa auréola mais exterior a indústria e bairros fronteiriços, sendo a sua maior funcionalidade o dormitório.
Nas regiões costeiras localizam-se as mais populosas cidades do país, Lisboa e Porto, que actuam como principais áreas receptoras da corrente migratória. A concentração de populações, fazia-se nas encostas por uma questão de defesa e também de comércio e transporte de produtos via marítima, enquanto no Norte interior, Braga, Coimbra e Viseu, entre outras, um dos motivos de atracção de populações era o caso das minas, matérias-primas ou fontes de energia. A riqueza natural que envolve a nossa cidade e que se espalha pelo concelho é digna de nota, proporcionando bons momentos ao ar livre. Tal, passa pela preservação das vias de comunicação propícias às caminhadas, proporcionando a todos um contacto com a natureza e com as culturas das regiões visitadas, sem esquecer a possibilidade do visitante desfrutar das actividades. Ambiente acolhedor, jardins, fontes, estátuas, sombras, convidam ao lazer, ao descanso, à reflexão e ao conhecimento da flora. A melhoria das vias de acesso, seja pela construção de novas estradas ou da implementação de novos meios de transporte, tais como o teleférico ajudam a atrair visitantes em busca do meio rural e urbano. Este movimento de pessoas, motivado por atracções turísticas e de lazer, não só é um privilégio para os visitantes como também o é para os agricultores, comerciantes e proprietários de restaurantes das zonas valorizadas, pois é tudo criado a pensar na vida dos cidadãos, não deixando de ser um atractivo para os visitantes que vêm do espaço urbano e pretendem conhecer o meio rural, desfrutando de umas férias relaxantes em contacto com a natureza. São locais como estes que fazem de Viseu um lugar tão especial para viver ou visitar e…descobrir!
A urbanidade está profunda e sistematicamente estudada. Das formas construídas à estrutura urbana, da economia aos aspectos sociais, a cidade foi analisada nas suas razões, princípios e vivências.
Nas zonas rurais, normalmente o povoamento é feito por casas à volta da Igreja, fonte que costuma situar-se na praça principal da aldeia ou vila, espaço relacionado e direccionado para o cultivo da terra e sendo esta o maior meio de subsistência. Sociologicamente predominam os fortes laços de parentesco, tendo a família, um significado social muito grande, e as óptimas relações de vizinhança constituem a base tradicional da solidariedade.
Vila Nova, terra de meus pais e avós, onde nasci e cresci, é ainda hoje, uma aldeia cheia de tradições.
As diferentes formas de estruturar a ocupação do espaço resultam de utilizações e de princípios diversos de agir no território. São vivências e maneiras de fazer características únicas.
Sendo Vila Nova uma aldeia do interior beirão, o seu clima pode-se considerar um tanto quente e seco no verão. Os invernos costumam ser rigorosos, com muita chuva, geadas e por vezes de neve, o que traz dores de cabeça aos pequenos agricultores.
Os pequenos agricultores existentes ocupam-se da produção para auto consumo de cereais (milho e centeio), batata, vinha, árvores de fruto e alguns terrenos de lameiro.
Existe também a actividade pecuária onde se insere o gado ovino, caprino e muar.
No que diz respeito à indústria, temos a serração, aviários, móveis e alumínios. O pequeno comércio também está presente como é o caso de cafés ou minimercados.
Hoje, com o progresso, este pequeno comércio vai-se acentuando cada vez mais devido aos sucessivos investimentos de capitais forasteiros
O Artesanato na nossa localidade é composto pelas flores de papel, as rendas os bordados e os cestos de vime.
Temos também o fabrico de mantas de farrapos em tear manual, o fabrico de broa de milho e os canastros (espigueiros).
Todas estas artes são feitas com muito “amor” por especialistas.
Um desses especialistas é a minha mãe, que ainda hoje faz uma broa de milho tão saborosa que não há igual.
Foi tradição, durante muitos anos que um dia por semana, juntavam-se no pátio de uma das casas da aldeia, um grupo de mulheres com a finalidade de cozinharem o pão de milho, a dita broa.
Carecemos de um projecto nacional que encare o nosso mundo rural como parte integrante da nossa riqueza, porque é a sua herança que nos faz únicos num mundo cada vez mais estandardizado e é aí que podemos encontrar as raízes da nossa identidade.
Um fenómeno observável é o movimento urbano que tende a alastrar-se no mundo rural onde não deixa de se dar o intercâmbio social, regional e nacional devido ao trabalho, à especialização das culturas, das facilidades de transportes, de todo o movimento que predomina na cidade.
Portugal conta hoje com uma população que ronda os dez milhões de habitantes. Apesar de ter sofrido alguns períodos de estagnação, (o episódio da gripe em 1918 que fez aumentar a taxa de mortalidade até 40%), a população duplicou durante o século XX. No entanto, esta tendência de alta viu-se compensada nos anos 60 com a emigração de um milhão de portugueses para os países mais desenvolvidos da Europa.
O sonho dos portugueses numa vida melhor passou a estar do outro lado da fronteira. Por necessidades económicas, de natureza social, religiosa e política, mais de um milhão e meio de pessoas sai de Portugal, perto de um milhão vai para a França, atravessam a Espanha e os Pirenéus clandestinamente, muitos deles instalam-se nos bairros de lata no periférico de Paris.
Naquele tempo as viagens demoravam meses, os transportes eram lentos e escassos e os emigrantes percorriam metade do globo para chegar ao local de trabalho.
Lembro-me, ainda era eu apenas uma criança, os meus irmãos emigrarem para a França clandestinamente, pois não conseguiam os documentos legais para lá poderem trabalhar, e quando nos escreviam a dar noticias, contavam como tiveram de passar as fronteiras a pé, pondo em risco a própria vida.
Por conseguinte, começava a face negra de todo o processo, a brutal exploração dos imigrantes ilegais. Não podendo recorrer às formas legais de emigração, eles viam-se obrigados a recorrer frequentemente a redes de mafiosos, cujo único objectivo era extorqui-los.
A actual legislação portuguesa sobre imigração, caracteriza-se por ser demasiada limitativa, por conseguinte estimula a exploração dos imigrantes ilegais. Calcula-se que existam mais de 100 mil imigrantes ilegais em Portugal.
Nos anos 80, numa altura em que Portugal mergulha numa profunda crise económica, assiste-se a um aumento da imigração ilegal, proveniente sobretudo de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e também de S. Tomé e Príncipe. Em meados dos anos 90, o problema dos imigrantes atingiu em Portugal tais dimensões, que o Estado começou a encarar o problema como uma questão nacional a resolver.
As maiorias destes imigrantes eram ilegais e começaram a fixar-se em barracas em Lisboa ou nas suas periferias. Mas onde há grandes aglomerados populacionais também há grandes problemas: As condições de acolhimento destes imigrantes foram as piores que se possam imaginar, agravando os problemas sociais, devido às degradantes condições de trabalho, habitação, assistência social, apoio social, apoio familiar e educativo. Também a necessidade de bens como infra-estruturas, equipamentos, transporte, saneamento básico, tudo o que é necessário para que uma população possa ter qualidade de vida. É chocante ao depararmos com o aumento da poluição que é directamente proporcional ao aumento da população.
È imperioso identificar e prever necessidades, definir objectivos, estabelecer programas e implementar projectos, visando acima de tudo, o que devem ser as suas preocupações de base: melhoria das condições de vida das populações, redução das assimetrias socioeconómicas regionais, utilização racional dos recursos existentes e minimização dos desequilíbrios ambientais.
O crescimento rápido destes bairros de barracas de imigrantes, a falta de condições mínimas, levou a que alguns desses bairros, sobretudo aqueles que se encontram à volta de Lisboa, se tornassem tristemente célebres pelas piores das razões – criminalidade, xenofobia, pobreza, tráfico de droga, violência, crime organizado. Um dos graves problemas é a diferença de oportunidades, o que promove a exclusão social, é essencialmente a falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros.
Os factores económicos podem ser decisivos na explicação de grande parte das situações de exclusão social, consequentemente também a dimensão económica da integração, assume uma importância crucial, quer na perspectiva da inserção, ou seja, o procedimento assumido pelos indivíduos e famílias, quer na da inclusão que é a mudança da sociedade que reforça e abre as oportunidades que oferece aos seus membros.
Em relação a este tema relatei uma vivência que tenho em anexo.
O homem só consegue sobreviver e realizar-se desde que integrado na sociedade, logo, é natural que a sua primeira preocupação seja em conseguir ser aceite no meio em que pretende viver. O homem e as instituições fizeram sempre relações públicas no sentido de obterem aceitação social e um dos processos indispensáveis de que ele se serviu para o conseguir, foi e continua a ser a comunicação. É através de uma língua que podemos comunicar com os outros.
A língua é uma forma de linguagem, um processo de signos vocais, que podem ser retratados graficamente, comum a um povo, a uma nação, a uma cultura e que constitui o seu instrumento de comunicação. No entanto, o próprio português falado em Portugal tem diferenças de região para região, como nos podemos aperceber por exemplo na pronúncia do Minho em relação ao Alentejo.
No que diz respeito ao uso linguístico apropriado para a inserção em contexto socioprofissional, elaborei cartas de apresentação e o Curriculum Vitae.
Analisámos alguns contos de Eça de Queirós, o conto “No Moinho”. Analisámos a história sobre a gestão de uma vida pessoal, (Aia), focalizando os seguintes domínios; meio, educação e hereditariedade. Estes três factores estão intrinsecamente conjugados sendo impossível avaliar qual o que tem maior influencia no individuo.
“Filho és pai serás, assim como fizeres assim acharás.” Este provérbio faz parte da cultura tradicional portuguesa, fala-nos genericamente da hereditariedade e da educação.
Esta é a letra de uma marcha que tem passado de geração em geração e é cantada e dançada pelos jovens em todas as festas populares que frequentemente se realiza em Vila Nova do Campo.
Canção de Vila Nova
Vila Nova, terra querida Anda prá frente
Oh ai, a terra onde eu nasci Sempre contente
És a terra dos encantos E nem sequer nos mandam parar
Oh ai, por isso gosto de ti Ai Vila Nova, ajardinada
Nasce do prado, sem se molhar
Vila Nova, terra do amor
Que tens no peito, tanta alegria
És a terra mais bonita
Pois tens no seio Santa Luzia
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