Wednesday, 11 November 2009

Processos Identitários

Área de Competência: Base

Descrição da UFCD: CP4
• Assume condutas adequadas às instituições e aos princípios de lealdade comunitária.

• Integra o colectivo profissional com noção de pertença e lealdade.

• Valoriza a interdependência e a solidariedade enquanto elementos geradores de um património comum da humanidade.


Neste módulo aprendi um pouco de tudo o que diz respeito á identidade do ser humano, foi um módulo em que vivenciamos episódios do dia-a-dia e que serviu para sabermos dar soluções a problemas diários.
É no progresso, na solidariedade da sociedade que a humanidade encontra os mais sólidos, mais generosos e mais humanos dos seus valores éticos. Para se poder viver em sociedade, há que ter um código de ética e moral, ou seja, normas que regem a nossa sociedade prevendo também que quando esses valores não são cumpridos haja uma punição exemplar de acordo com toda a sociedade. Uma sociedade é formada pela família, pelo próximo, pelo amigo, pelo vizinho, pelo colega profissional, todos pertencemos a uma sociedade, que embora diferentes, há determinados valores que devemos ter em conta. Os valores éticos, culturais e até mesmo religiosos são iguais em qualquer parte do mundo.
Se conseguimos respeitar o nosso semelhante, quer particular quer profissionalmente, se conseguirmos ser leais com o nosso próximo e com os nossos princípios, conseguimos viver em harmonia.
Tudo o que acontece no mundo, seja no meu pais, na minha cidade, no meu bairro, na minha escola ou no meu trabalho acontece comigo, portanto eu preciso de participar das decisões que interferem na minha vida. “Todos temos os mesmos direitos e deveres, porque não lutamos todos pelo mesmo?”
Aplicando a minha experiência em contexto profissional, tratei sempre de igual modo todas as pessoas, fossem elas de que etnias fossem e procurava saber se precisavam de ajuda quer profissional quer intelectual.
Quando trabalhei no Centro Paroquial do Campo, tive a oportunidade de conviver com os mais idosos, com as crianças em tempo escolar e com os bebes. Foi uma das experiências mais gratificantes a nível intelectual que já vivi. No início, quando lidava com os idosos, foi um pouco chocante ver como muitos deles se sentiam sós. E o facto de lhe ter de por o babete e dar de comer a boca, dava-me uma enorme vontade de chorar, muitas vezes tive de esconder as lágrimas. Aquele sentimento que vinha de dentro de mim era de uma grande ternura e carinho, sentia que precisavam de mim a todo momento, a todo instante, eram os meus bebes! Com o passar dos dias, sentia-me cada vez mais forte para os ajudar com tudo o que tivesse ao meu alcance. Considero que envelhecer, é muitas vezes um processo delicado e doloroso, e portanto, para mim, todos são iguais.
No entanto, no que dizem respeito à igualdade, os princípios revolucionários mantêm-se distantes no horizonte. Mesmo sem garantias definitivas da sua realização, o desejo cumpre seu papel, educar para despertar a consciência dos homens de boa vontade e assim, o conteúdo imaginário do momento presente poderá ser concretizado amanhã.
O homem deseja mais ser livre do que escravo, mas também prefere mandar a obedecer. O homem ama a igualdade, mas ama também a hierarquia quando está situado em seus graus mais elevados.
O homem ama alguém do mesmo sexo, é considerado um Ser diferente.
Existem maneiras práticas e eficientes de defender os direitos iguais para todos, antes de tudo, por meio de atitudes pessoais, no dia-a-dia, com as pessoas com quem se convive: tratando a todos com respeito, sem se importar com a cor, a idade, a aparência, a condição social e sexual, a religião e muitos outros preconceitos. Pois por vezes a sociedade, tem preconceitos que nem percebe.
Em relação à homossexualidade, as pessoas têm o direito de dizerem o que pensam, desde que isso não desrespeite ninguém! Não é fácil descobrir que é “diferente” do resto do mundo, pois o mundo não está preparado para pessoas diferentes. Quando se descobre que se ama outro ser, mas infelizmente não é o ser humano que os pais idealizaram, a dor é enorme, pois terá que escolher entre a felicidade dos pais e a sua própria felicidade. Ou então, vive escondido e frustrado. E quando é descoberto, é humilhado, negado e escorraçado.
Tenho um grande amigo de infância, e desde que ele se assumiu perante a sociedade ser homossexual, a vida dele transformou-se num caos. Até eu que o acompanhava, era criticada.
Foi nessa altura que se apercebeu que estava praticamente sozinho no mundo, sem saber porque teria de ser assim. Muitas vezes expressava a sua dor comigo e dizia; “Será que amar vai ser sempre assim tão mau! Eu sou uma aberração? O nosso modo de amar é diferente! Mas é amor! somos iguais a ti. Não existe respeito! ”
Homofobia mata. Existem pessoas que são agredidas todos os dias, são alvos de piadas e de bisbilhotice. Por dia, dois homossexuais são assassinados no mundo, jovens são enforcados no Irão, alegaram que é crime a opção sexual deles, e eu pergunto-me; O crime é deles?! Essas pessoas tinham pai, mãe, irmãos, avós, uma família e amigos. Opção é quando alguém te dá o direito de escolha, e ninguém perguntou se eles queriam ser alvo de tudo isso.
Na minha opinião, a reacção homofóbica provém da ignorância que faz com que muitos imaginem que a homossexualidade seja uma escolha livre e inconsciente, ou que se pega através de sedução ou imitação herege.

A lagarta quando fica no casulo, ninguém dá muita importância, poucos a observam, mas quando se transforma em borboleta todos a admiram. As pessoas que ficam enclausuradas nas suas residências ou instituições, são conhecidas por poucas pessoas, mas as que voam para outras áreas, fazem com que os outros as observem e comessem, também a reconhecê-las como parte deste mundo.
A cidadania é um direito a ter direitos, pois a igualdade em dignidade e direitos dos seres humanos, não é um dado, é um traçado de convivência colectiva que requer o acesso ao espaço público que permite a construção de um mundo comum através do processo de afirmação dos direitos humanos.
A sociedade portuguesa conheceu, após o 25 de Abril de 1974, alterações de grande importância, em contraste com o forte imobilismo social das décadas precedentes.
As mulheres alargaram o seu espaço profissional, a escolaridade aumentou, e a mobilidade social é notória, as condições de vida melhoraram, assumiram-se direitos inquestionáveis, os sectores de actividade adquiriram outra face a relação activos/reformados, para não falar em equipamentos individuais; os electrodomésticos, telefones, e colectivos; hospitais, escolas, centros de saúde, esgotos, rede pública de abastecimento de água, entre muitos outros disponíveis.
O novo recenseamento eleitoral abrangeu mais de seis milhões de eleitores e durante o Estado Novo o número mais alto foi de um milhão e oitocentos mil em 1973, o que constituiu um êxito para a democracia.
Até os dias de hoje, os sinais resultantes na caminhada da conquista efectiva desses direitos, a emigração, migração, aparecimento das sociedades, o estatuto das mulheres nas sociedades é de progresso, apesar de que em alguns países menos desenvolvidos, as mulheres ainda sofrem muitas lutas pelos direitos dos trabalhadores.
A identidade nacional, por exemplo, estabelece laços de pertença por proximidade geográfica, linguística e cultural entre indivíduos, mesmo geograficamente distantes, e comunidades locais que se representam como integrados numa grande sociedade.
O tema identidade e patrimónios culturais remete-nos para a questão da relatividade cultural. Hoje, mais do que nunca, a questão da relatividade cultural tem-se como uma forma de enriquecimento pessoal. Nas agências de viagens, afluem os turistas que procuram conhecer o melhor que cada país pode oferecer. A gastronomia, música, arquitectura, as lendas, as danças e os trajes regionais, as paisagens são um ponto de passagem obrigatório para cada turista. É por isso que a preservação do património cultural tem-se constituído como uma prioridade absoluta, já que permite uma forte fonte de ingressos para cada país assim como a manutenção da identidade nacional.
São de louvar todas as políticas, nacionais e internacionais, que visam preservar o património cultural da humanidade. A Agenda 21 é um processo inovador e especial porque, existe um mandato acordado pelas Nações Unidas e são já muitos os exemplos de autoridades locais em todo o Mundo que a estão a implementar. Reconhece o papel chave das autoridades locais na promoção da sustentabilidade ao nível local. Envolve uma responsabilidade global, não só através da redução dos impactos ambientais directos e indirectos, mas também da partilha de experiências com este fim. Apela à participação de todos os sectores da comunidade local. Integra a componente ambiental, social, económica e cultural, com o objectivo último de melhorar a qualidade de vida dos habitantes, baseando-se nos princípios do desenvolvimento sustentado. É mais do que um “plano verde”.
Quando não estamos no nosso País é que nos apercebemos de determinadas coisas que, provavelmente, no nosso quotidiano não atribuímos qualquer valor. O património não é só os nossos Monumentos, Mosteiros, Conventos, Castelos, entre outros. O património que nos identifica como Portugueses é as nossas Língua, que através das conquistas espalhamos pelos quatro cantos do Mundo. O Português é a língua oficial em nove Países, sendo ainda falado em três Estados da Índia, em Macau e em Timor. O fenómeno imigração já vem da época das conquistas, em que partimos por aventura, porque éramos obrigados ou porque necessitávamos de trabalhar.
Todas as Nações que fomos conquistando, deixamos a nossa marca. A nossa Língua, os nossos costumes ou tradições, a nossa religião e a nossa arquitectura. Ao sermos emigrantes servimos o nosso País em todas as frentes, mantemos e divulgamos o nosso Património, contribuímos para as relações comerciais intercontinentais e ajudamos a economia Portuguesa.
Apesar de sermos um País relativamente pequeno, conseguimos dar bastante impacto no que diz respeito ao desporto, não só no futebol mas também nos Jogos Olímpicos. Os nossos jogadores continuam a elevar a bandeira ao mastro mais alto.
Relativamente à minha entidade, os aspectos que mais contribuíram para a construção da mesma são vários. Até ao momento do meu pai emigrar para a Suíça e a minha mãe ter de cuidar de oito filhos sendo o mais velho de 14 anos de idade, cedo me ensinaram que a vida nem sempre é o desejamos, antes ao contrário, ao desejarmos algo temos de lutar para obtê-lo. Com a ausência do meu pai, eu e meus irmãos estudamos até completarmos a escolaridade obrigatória, com 12 anos de idade emigrei para a França, um ano depois ingressei no mundo do trabalho. Tive variadíssimas experiências profissionais, desde comércio à hotelaria, Artes Gráficas à venda de publicidade, de Hotelaria a restauração, até ao convívio com os mais idosos. Esta diversidade foi muito importante para a construção da minha identidade. Motivada pelos aconselhamentos de todos os que me rodearam, aprendi o sentido da responsabilidade, do respeito e da oportunidade.
Todas as pessoas que passaram na minha vida deixaram um pouco delas em mim.

Liverdade e responsabilidade democráticas

Área de Competência: Base

Descrição da UFCD: CP1

• Reconhece as responsabilidades inerentes à liberdade pessoal em democracia.
• Assume direitos e deveres laborais enquanto cidadão activo.
• Identifica os direitos fundamentais de um cidadão num estado democrático contemporâneo.
• Participa e sustentadamente na comunidade global

CIDADANIA é uns processos que percorremos ao longo da vida. Começa em casa e no meio próximo das crianças com as questões da identidade, relações interpessoais, escolhas, justiça, bem e o mal, e desenvolve-se na medida em que se desenvolvem os horizontes de vida.
Cidadania está relacionada com o desenvolvimento pessoal, social e emocional, o desenvolvimento da confiança, da responsabilidade e o respeito pelas diferenças.
É preciso estar atento e aproveitar a diversidade de oportunidades de aprendizagem da cidadania do pré-escolar ao ensino secundário e profissional.
Perante a multiplicidade e complexidade das sociedades do nosso tempo, a experiência de vida não chega para formar o cidadão, é preciso que haja uma educação absoluta ao longo da vida. A democracia precisa de cidadãos activos, informados e responsáveis para assumir o seu papel na comunidade.
Foi instituído o cartão do cidadão, nele contem o número de identidade, o número fiscal, de beneficiário. Este cartão é único, e tem como finalidade substituir todos os anteriores cartões.

DIREITOS DO CIDADÃO:
Educação; alimentação; saúde (assistência média gratuita); opinar e reivindicar; ser respeitado, pela raça, religião, opinião; trabalho, segurança, direito ao voto privacidade; Locomoção; identificação; condições básicas de higiene; exercer a cidadania; trabalhar em instituições públicas.

DEVERES DO CIDADÃO:
Respeitar as pessoas; não ser racista, manter a higiene; cumprir e respeitar as leis; não desperdiçar água; reciclar os materiais recicláveis; proteger os "habitats" naturais; evitar usar electrodomésticos ou sprays que libertem gases; não poluir qualquer meio.
Ter gosto de proteger a Natureza.
No âmbito social, a reciclagem proporciona-nos uma melhor qualidade de vida através da melhoria ambiental.
Por isso, todos nós temos o dever de cuidar do que é de todos.
Temos que ter consciência desta realidade e parar de pensar que o que está longe de nós não nos afecta.
A correcta separação de resíduos para posterior reciclagem é uma tarefa muito simples e não custa nada cumpri-la.
E essa separação não se deve limitar apenas às embalagens, mas também a todos os resíduos que possam ser reciclados, como os óleos usados, electrodomésticos, pilhas, etc.
Só à alguns anos atrás, comecei a prestar uma maior atenção ao mundo que nos rodeia, e como tal faço a separação do lixo e procuro fazer com que as pessoas que me estão próximas também o façam, em especial ao meu filho. A falta de água potável, a transmissão e propagação de doenças, a paisagem seca, triste, e sem vida, é um futuro que não quero para ele.

É imprescindível acabar com a forma excessiva do consumismo, estamos a ficar sem recursos naturais no nosso planeta.
A solidariedade e a entreajuda da humanidade são postas à prova. Será que os mais generosos e mais humanos conseguem mudar o mundo! Pois a única coisa possível para aumentar a esperança de vida é proteger a saúde. Não podemos fechar os olhos aos problemas, porque assim eles não vão deixar de existir. Nós como vulgares cidadãos e sem conhecimento científico, podemos ajudar ajudando a população na prevenção, lutar com todas as armas que dispomos, independentemente de sofremos directa ou indirectamente das mesmas, podemos fazer campanhas, peditórios, voluntariado, denunciar casos de carência humana que tenhamos conhecimento, às respectivas autoridades.
Este ano, no mês de Janeiro, participei num peditório para as crianças da Caritas, juntamente com algumas colegas do Cesae, foi uma experiencia muito compensatória, fiquei muito feliz ao constatar que ainda existem pessoas sensíveis e que conhecem as dificuldades destas crianças e também dos “novos” pobres. Sim, infelizmente há cada vez mais pessoas sem-abrigo devido à crise em que nos deparamos. Todos nós sabemos como está a situação da economia nos dias de hoje, e por essa razão, é preciso tomar boas decisões, tais como, poupar.
É devido às circunstâncias da vida, que na sociedade acrescem problemas de droga, álcool, doenças crónicas e transmissíveis.
Infelizmente, aprendi com a dura realidade que, se no presente não cuidarmos bem daquilo que temos de mais precioso, a saúde, no futuro, pode não ser possível.
Aos 16 anos comecei a fumar por uma mera brincadeira e transformou-se num vício com cerca de dezasseis anos.
O cigarro foi, por muitos anos, um símbolo de luxo, de satisfação e status social. A sua venda era motivada pela exploração de uma imagem estratégica, em promoção de festas, concertos e eventos, sempre ligada ao que está na moda.
Após anos de consumo, o tabaco foi perdendo as suas características "positivas". Hoje não há qualquer dúvida sobre os malefícios do seu uso e dos seus derivados para a saúde do fumador e de todos aqueles que vivem a sua volta.
Actualmente, nos próprios maços de tabaco vem a informação sobre os seus malefícios, embora o choque não seja assim tão grande como se desejaríamos que fosse.
Não foram esses avisos que me influenciaram a deixar de fumar, embora eu soubesse que o tabaco era prejudicial para a saúde, só quando vi de muito perto as suas consequências, todo o sofrimento e angústia pelo qual se passa, e o facto de não haver retrocesso, senti que estava na altura de deixar esse vício.
Não foi fácil deixar de fumar, mas também não foi assim tão difícil como se pensa, é preciso termos acima de tudo uma grande foça interior. Foi em Março de 2006, que decidi deixar de fumar. Nesta altura, ainda não tinha saído a legislação sobre o tabaco, embora o diploma estivesse pronto há muito, devido às consecutivas alterações, ele só foi publicado em Diário da República em Agosto de 2007 para vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2008. No nosso país, no que se refere à concordância ou não com a proibição de fumar nos locais considerados, constatou-se através de inquéritos, que a maioria dos cidadãos é completamente a favor da proibição de fumar em todos os locais.
Algum tempo atrás, e pela segunda vez, passei pela experiência de perder um familiar devido ao consumo de substâncias químicas.
O meu irmão, de 42 anos de idade, não resistiu à doença que o torturava há cerca de um ano e meio e que cada dia o deixava sem forças para lutar.
Em 2006 foi-lhe diagnosticado um tumor maligno (cancro) nos pulmões. Fiquei em estado de choque. Quando pensamos que nada disso nos bate a porta, estamos absolutamente enganados.
Ele era fumador há muitos anos e o tabaco, sendo o maior factor de risco para esse tipo de tumor, acabou por lhe traçar o destino.
Nos tempos que correm, como já é possível aliviar os efeitos secundários através de medicamentos, houve algum tempo em que o meu irmão sentia-se bem, continuava a trabalhar, estávamos certos de que era uma fase má das nossas vidas e que estava prestes a acabar. Mas infelizmente isso não aconteceu.
O choque maior estava para vir, cancro tinha-se espalhado, afectando também o fígado. Os médicos então informaram-nos que não havia cura possível. O cancro estava demasiado evoluído. O objectivo era então o de controlar a doença e os seus sintomas. Mas na fase terminal as dores eram muitas vezes insuportáveis, embora tomasse medicação para não as sentir.
Vi o meu irmão passar por todos os sintomas e a minha impotência era tão frustrante, tudo o que podia fazer era proporcionar-lhe o conforto psicológico, no tempo de vida que lhe restava.
Portanto, ter uma boa saúde é essencial para que a população possa manter uma qualidade de vida aceitável, tendo uma vida activa e saudável.

É indispensável que as pessoas se sintam úteis, e o trabalho também faz parte integrante das nossas vidas no ponto de vista individual, familiar e colectivo. Uma vez que no desemprego, ou com trabalho muito precário, as relações sociais descem a pique de uma forma impressionante.
s direitos dos trabalhadores são uma componente indispensável do sistema democrático. O seu pleno exercício é um factor de dinamização e enriquecimento da vida política, social e cultural e do desenvolvimento económico-social do país.
Todos nós, enquanto trabalhadores, temos uma série de direitos, mas também temos obrigações para com a entidade patronal.
No Código do Trabalho estão previstos os direitos e deveres dos trabalhadores em geral, mas é nos Instrumentos de Regulamentação Colectiva que são estabelecidas as garantias mínimas, para todos os trabalhadores de uma empresa ou sector de actividade. Garantias sobre as condições de prestação de trabalho relativas à segurança, higiene e saúde, garantia da retribuição base para todas as profissões e categorias profissionais.

Os direitos que são assistidos por lei são, entre outros:
Artigo 127º. 129º. Código do Trabalho:
 Receber pontualmente a retribuição;
 Subsídio de férias e de natal;
 O gozo de férias;
 Os períodos mínimos de descanso;
 Igualdade de tratamento e não discriminação;
 Condições de trabalho, no que diz respeito à segurança e saúde;
 Retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
 Organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar;
 Prestação do trabalho em condições de higiene, segurança e saúde;
 Repouso e lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal e as férias periódicas pagas;
 Assistência material, quando involuntariamente se encontrem em situação de desemprego;
 Assistência e justa reparação, quando vítimas de acidente de trabalho ou de doença profissional.

Hoje, face ao actual contexto económico e social do país, os trabalhadores e a maioria da população portuguesa têm maiores dificuldades financeiras e piores condições de vida.
O elevado número de desempregados, a precariedade no emprego, o aumento de custo de vida, os baixos salários, o desrespeito pelos direitos dos trabalhadores são algumas das causas que levam ao aumento da degradação das condições de vida.
Por todas estas situações, o medo crescente da perda do emprego é grande e está cada vez mais presente em cada cidadão. Este receio faz com que a mobilização dos trabalhadores na defesa dos seus direitos seja bastante menor.
Na aula foi abordado o tema do Tratado de Maastricht e o tratado de Lisboa onde foram discutidos os deveres e direitos de cidadania, transnacionalidade, diferentes contextos sociais, intensificando as relações sociais à escala mundial.
Há um tempo atrás não tinha a noção de que participação para a cidadania era tão importante para o nosso bem-estar. Todos nós sabemos que o que semeamos assim o recolhemos, ou seja, enquanto cidadã, devo proceder de boa fé perante a sociedade, no exercício dos meus direitos e no cumprimento das minhas obrigações.

Auto Biografia _Vigílio Ferreira

O Largo _Manuel da Fonseca

A Casa dos Beijos

Fundamentos de cultura língua e comunicação

Área de Competência: Base

Descrição da UFCD: CLC_7

• Intervém de forma pertinente, convocando recursos diversificados das dimensões culturais, linguística e comunicacional.
• Revela competências em cultura, língua e comunicação adequadas ao contexto profissional em que se inscreve.
• Formula opiniões críticas, mobilizando saberes vários e competências culturais, linguísticas e comunicacionais.
• Identifica os principais factores que influenciam a mudança social, reconhecendo nessa mudança o papel da cultura, da língua e da comunicação.

O desenvolvimento humano é um processo global que implica o crescimento físico, desenvolvimento biológico e a aprendizagem.
A educação e o meio ambiente em que crescemos e as experiencias a que estamos sujeitos é que nos tornam seres únicos.
Há até um ditado que completa o anterior nomeado no módulo de CLC7, que diz, “a educação de um filho começa 20 anos antes de ele nascer”, refere-se ao facto de que para se ser um bom educador, tem que ser bem-educado. Educado no sentido de ser um ser equilibrado psiquicamente, e integrado socialmente e culturalmente.
Por essa razão, o humano utiliza os mais diversos tipos de linguagem para empreender a comunicação com a humanidade.
A comunicação não se realiza unicamente quando estamos perante outros seres, na verdade, ela é tudo o que nos envolve no dia-a-dia. Começando assim que nos levantamos, saudando o nosso próximo com palavras, gestos, ou até mesmo quando temos a necessidade de exteriorizar os sentimentos sob a forma de palavras audíveis como, o choro, o riso, a dor, o medo, de entre tantos sentimentos.
Segundo os filósofos, o homem só se conseguiu libertar da sua primitiva animalidade, após a descoberta do fogo e do uso A primeira linguagem visual surgiu quando o homem caçador teve necessidade de transmitir à tribo, o que fazia para sobreviver, representando assim, várias pinturas rupestres no interior do seu habitáculo.
Mais tarde, o homem inventou novas formas de escrita, cada símbolo representava uma ideia um som, e foi assim que surgiu o alfabeto. Consequentemente devido à capacidade que o homem adquiriu para transformar vários produtos naturais em matérias-primas, inventou o papiro e mais tarde o papel.
Com a invenção do papel a transmissão do conhecimento alargou-se a todos os grupos da sociedade. Mais tarde lançou-se na descoberta de outros meios, de outras matérias e outros engenhos, para poder comunicar com maior rapidez e a maior distância.
Gutenberg foi o grande inventor da imprensa. Afirma-se, que teria inventado os tipos móveis, tipos de caracteres individuais de metal e o desenvolvimento de tintas à base de óleo para melhor usá-los. Aperfeiçoou ainda, uma prensa gráfica inspirada nas prensas utilizadas para espremer as uvas no fabrico do vinho.
No período em que frequentei o curso de Artes Gráficas, tive a oportunidade de trabalhar com as ditas máquinas rotativas de Gutenberg. Também, elaborei alguns trabalhos desde a composição de textos em caracteres de chumbo, o que achei muito interessante, até á impressão dos mesmos na dita prensa.
Contudo, a imprensa sentiu a necessidade de evoluir, pois a sociedade tinha cada vez mais a sede de informação e conhecimento. Os livros e os jornais eram um dos meios de aprendizagem e comunicação. Os jornais propunham ao público, artigos com assuntos de grande profundidade, como as noticias, as crónicas, processos científicos, entre outros, e com o passar dos tempos, criou novos tipos de jornais. A notícia, a reportagem, a entrevista têm como finalidade informar, tal não acontece com a crónica, que por norma é breve e surge numa página fixa do jornal. A crónica que estudámos, “A casa dos beijos”, faz-nos uma critica á sociedade infeliz e preconceituosa e evidencia-nos que não há mal nenhum em amar. A crónica remata sempre com uma frase chave onde está contida a ideia principal do ponto de vista do autor.
As notícias sobre crimes, sexualidade, acidentes, são os meios mais eficazes de atrair a clientela. Tendo em conta que, para uma boa publicidade, é imprescindível ter-se muita criatividade, para que possa aliciar o publico com novidades em primeira mão. A imprensa limita-se quase exclusivamente à função informativa, não estabelecendo qualquer contacto com o público. Com toda esta evolução, criou técnicas para poder cativar cada vez mais o público, político, económico e cultural. Hoje, os processos de impressão evoluíram de uma tal forma que para poder fazer qualquer tipo de publicidade, não precisamos de ir obrigatoriamente a uma tipografia. Agora, todo o cidadão tem acesso a novas tecnologias, a sociedade tem a noção que estar informado, é “chegar mais além”.
As novas tecnologias trouxeram evoluções na comunicação, linguagem e cultura.
Em relação a este tema, analisámos o poema, “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.” Constituído por duas quadras e dois tercetos, de Luís de Camões e o conto “O Largo” de Manuel da Fonseca. “Esse vasto mundo onde qualquer coisa, terrível e desejada, está acontecendo.” Esta frase retirada do texto, demonstram-nos como a vida está em constante mudança.
O conto “O Largo”, retrata-nos as tradições de um passado, trazendo até nós as vivências, costumes e valores de uma determinada época e as alterações que a mudança e o progresso reflectiram naquela aldeia.
Foi um dos contos que me despertou um interesse especial, pois comparo-o com a história da minha aldeia.
O conto do escritor alentejano, relata o desempenho do Largo nas sociedades e na sociedade local em particular. É no Largo que se situa a igreja, onde os fiéis aos domingos de manhã se deslocam para ir à missa, onde se encontram na taberna ou no café, pondo a conversa em dia, onde se fazem negócios e marcam encontros. O Largo funcionava como reagrupamento para os homens e a casa era para as mulheres. Não saíam sozinhas à rua porque eram mulheres, quando iam visitar as amigas, os homens deixavam-nas à porta e entravam numa loja que ficasse perto à espera que elas saíssem para as levar para casa. Eram elas que iam à missa enquanto os homens não passavam do adro e não entravam nas casas sem que fossem obrigados a tirar o chapéu.
Depois cortaram os eucaliptos ao Largo, e o Largo foi morrendo. Era lá o centro do Mundo, a paisagem do espaço narrativo é modificada com a chegada do comboio, hoje é apenas um cruzamento de estradas pois o comboio fê-lo desaparecer e a vida mudou-se para o outro lado da Vila.
Na minha aldeia, Vila Nova, o largo do Soito era muito parecido, ainda existe hoje um fontanário recuperado, que foi durante décadas um local onde se juntavam as lavadeiras da aldeia, que cantavam belas músicas, enquanto as crianças brincavam por ali perto.
A separação das vilas fazia-se por um monte de rara beleza arqueológica Foi afirmado por várias pessoas idosas, que nas primeiras décadas deste século, havia ainda uma ou duas antas num largo considerado maninho, sítio em frente ao Instituto de São José.
Mais tarde, por volta de meados dos anos trinta, o negociante de vinhos no lugar, adquiriu parte daquele maninho e o adulterou, deixando assim de existir. Contam-se várias histórias que contribuíram para que aquele local passasse a ser conhecido pelo Calvário. Dizia-se que as vacas que por ali passavam a puxar a charrua enterravam-se na terra junto às antas sem que o terreno apresentasse sinais de alagamento, recusando-se a andar.
Não se sabe se por efeito de histórias semelhantes a esta, se por outros motivos, a verdade é que naquele local foram colocadas várias cruzes de pedra tornando ponto de paragem obrigatório em procissões e nunca esquecido nas tradicionais noites de cânticos para a evocação das almas, por altura da Quaresma, o que ainda hoje acontece. Esta e outras histórias ainda se mantêm vivas, mas não sei por quanto tempo. Pois estamos em constante mudança e as tradições vão-se esmorecendo.
Foram cortados os eucaliptos e a ponte que dava acesso à aldeia deu lugar a uma rotunda onde se ligam estradas vindas de várias direcções. A Aldeia cresce a todos os níveis. Há novas escolas, mais comércio e futuramente a industrialização. O largo do Soito, hoje é apenas um cruzamento onde param para ir à fonte. As mulheres entraram no mercado de trabalho, por necessidade e por vontade de evoluir na sociedade. Ainda me lembro claramente o dia em que vi pela primeira vez uma mulher a conduzir. Na altura pensei comigo mesma, “como é possível!” hoje vejo como a vida e as vontades mudaram na nossa sociedade.
O Auto da Índia de Gil Vicente, que analisei, retrata a mulher e o casamento na sociedade. Há uma duplicidade em Gil Vicente quando nos refere no texto uma Ama infiel, cheia de artimanhas, indiferente quanto ao destino do marido e outra, de uma Ama vítima do abandono e do egoísmo do marido.
Gil Vicente cria a reflexão pela oposição, a mulher é apresentada como adúltera, no entanto, ela foi deixada em casa, obrigada a viver em recolhimento privado, enquanto o marido, tomando as rédeas de sua própria vontade, parte à procura de aventuras, riquezas e glórias em terras distantes, deixando-a presa da incerteza de sua volta. No Auto, o tempo é dramático. A mudança é constante, sugerindo ao leitor a sensação da passagem do tempo. A acção acompanha a vida com as suas mesquinharias e grandezas, enriquecida pelos grandes e pequenos dramas vividos pelo Homem. Também nos revela o desvanecer da ética medieval à prática do hedonismo, que é manobrada pelo universo feminino, tendo esta, várias atitudes ao assumir uma atitude de gozo diante da vida.
Gil Vicente pegou na contextualização histórica política e cultural da sua época, para fazer uma critica à sociedade de uma forma muito subtil. Sempre foi um autor inovador, ele criticava a rir toda a sociedade, desde a classe mais alta até a classe mais baixa.
Na minha opinião, a censura existe de todas as maneiras, porque em várias circunstâncias da vida em que as pessoas se encontram, por boas ou más razões, as pessoas seleccionam, escolhem, apagam, fazem realçar o que pretendem. Mediante isso, existem tantos temas controversos, como a eutanásia.
A palavra eutanásia é composta de duas palavras gregas “Eu” e “Thanatos” e significa “uma boa morte”.
A eutanásia está indirectamente relacionada com a ciência no ponto de vista em que com os novos avanços da tecnologia, existe uma melhoria significativa das condições de vida da maioria dos humanos. Todas estas novas criações proporcionadas pela tecnologia dão-nos outra perspectiva de vida, a maioria dos doentes recuperam com mais facilidade, reflectindo assim, como o homem progrediu na medicina.
Na Antiguidade, a maioria dos médicos não tratava pacientes terminais, logo, havia poucas opções e praticavam a eutanásia.
Muitos filósofos da Grécia e Roma antigas consideravam o suicídio uma “morte boa”, como resposta apropriada e racional a diversos males.
A atitude dos gregos e romanos antigos a favor da eutanásia assistida, encontrou resistência nos primeiros séculos da nossa época. O judaísmo e o cristianismo criticaram-na fortemente, pois não era uma morte natural.
Foi apenas na Europa Moderna que o tema do suicídio e da dúvida sobre viver ou não, começou a ser discutido em livros, peças de teatro e entre os intelectuais da época.
Apesar dos debates, o apoio ao suicídio como afirmação da autonomia individual e protesto contra a convenção moralista da Igreja, nunca foram suficientes.
Filósofos do iluminismo, não apenas descreviam o suicídio como socialmente desejável e uma questão de opção pessoal, como também indicavam a hipótese de que eram factores materiais que levariam uma pessoa a cometê-lo.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX ocorreu uma mudança, foi a posição dos médicos em relação aos pacientes terminais. Uma nova ética era formada e os médicos começaram a preocupar-se mais com o bem-estar dos doentes terminais. O problema da eutanásia não se limita aos aspectos éticos, morais e filosóficos do doente, do seu direito à autodeterminação ou a uma morte digna, mas também à ética que rege a actuação dos profissionais de saúde, e sobretudo com questões de ordem jurídica que, variam de país para país.
Em Portugal a lei não prevê nenhuma forma de eutanásia e o código penal considera a morte induzida ou o suicídio assistido como homicídio qualificado, não havendo qualquer caso de jurisprudência nesta matéria.
No entanto, este é um debate que, mais tarde ou mais cedo, terá lugar na sociedade portuguesa.
Eu defendo a eutanásia, mas apenas em certas circunstâncias. Na minha opinião, a lei sobre a eutanásia deveria simplesmente reconhecer que há razões objectivas, que fazem com que as pessoas prefiram a morte à vida: dores insuportáveis, condições de vida degradantes, e a certeza de que a morte se aproxima e em desespero. Nestes casos, deveria ser permitido que um especialista ajudasse essa pessoa a morrer da melhor maneira possível, em paz e rodeada pela família e amigos. As pessoas com doenças em fase terminal, têm naturalmente momentos de desespero, momentos de sofrimento físico e psíquico muito intenso, em que desejam apenas acabar com tudo aquilo.
Infelizmente já vi e ouvi esse desejo em alguém. E se para mim foi uma tortura ouvir essas palavras, maior é a tortura para quem está a sofrer.
Mas há também momentos em que lutam dia após dia para viverem um só segundo mais. Por isso, deveríamos dar a estas pessoas, condições para viverem os últimos momentos das suas vidas, com o menor sofrimento possível, através de uma maior dominação do sofrimento.
Sendo para isso necessário que se crie uma rede de cuidados apelativos em Portugal.
Uma equipa de profissionais que assista estes doentes na sua fase final, com o único objectivo de melhorar a qualidade da sua vida neste transe definitivo, atendendo às necessidades físicas e psíquicas, do paciente e da sua família.
O doente precisa de se sentir seguro, de ter a segurança de alguém que o apoie e não o abandone. Necessita de amar e de ser amado.
Infelizmente, existem pelo mundo fora pessoas que beneficiam com a morte e sofrimento de outros.
Neste módulo visualizei o filme, “O fiel jardineiro”. Demonstra-nos como o poder económico consegue manipular este povo sofrido e mal tratado, considerado o mais humilhado da história moderna. Existem crianças inocentes que pagam um preço alto, a miséria, desnutrição, abandono. Vítimas de uma política suja, condenadas à morte por violentas guerras civis, por doenças como a Sida e a Tuberculose. As atrocidades que o estado Britânico e a industria farmacêutica causam. Este povo é usado como cobaia para experiencias de novos medicamentos supostamente para tratar a tuberculose. O factor económico é a destruição dessa sociedade.
África tenta sobreviver, tendo como única esperança médicos e seminaristas que passam as fronteiras e desafiam a política corrupta para salvar estas vidas, tentam fazer com que sorriam novamente e que tenham uma vida digna. Não podemos deixar despercebida a dor de tantos que esperam a nossa ajuda.
Devemos alertar cada vez mais a sociedade para este problema que também é nosso. Através das novas tecnologias, pois é para isso que elas existem, para nos ajudar.
Quando vi o sofrimento deste povo, fiquei deveras chocada, é um atentado moral ver tantas crianças a passarem por terríveis torturas pelo movimento rebelde. Não conheço nenhuma outra parte do mundo onde exista uma emergência com tantas proporções como a África com tão pouca atenção internacional.
Penso que a vida dos sofredores assusta e afugenta a maioria da sociedade. Infelizmente é assim pelo mundo fora. Milhares de crianças sofrem e o mundo nem se apercebe.
Em relação a este tema, analisámos um texto muito subjectivo da auto-biografia de Vergílio Ferreira onde o autor expressa as suas emoções, o seu estado de espírito em diversos episódios da sua vida.
O autor relembra a partida do pai e mais tarde o abandono da mãe e da irmã. Estas imagens ficaram-lhe gravadas na memória, causando-lhe um enorme vazio, desespero e angustia. Toda a sua infância fora triste e sombria. As tias submeteram-no ao asilo, privando-o de uma infância “normal”.
Seis anos mais tarde, enchendo-se de coragem, saiu do seminário foi para o liceu, e de mais tarde para a Universidade. O recomeço de vida foi muito difícil, pelo facto de se descobrir como homem e como cidadão comum. Tudo parecia violento demais para uma personagem pacata e reservada como ele. Por isso, Évora fora a sua grande paixão, é a cidade que o identifica, e passo a transcrever o que ele sente. “Évora do silêncio com sinos nas manhãs de domingo, estradas abandonadas à vertigem da distância, ó cidade irreal, cidade única, memória perdida de mim”. Este homem vestiu diversas personagens, a de filósofo e escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Este pensador fazia constantes reflexões acerca do sentido da vida, sobre o mistério da existência, acerca do nascimento e da morte, enfim, acerca dos problemas da condição humana.
Podemos constatar, que de facto no texto auto biografia, há uma carga maior de emoções, não é meramente informativo.
As experiências pessoais constituem uma fonte de aprendizagem ao longo da nossa vida.
Sou portuguesa, vivo numa aldeia a 7 km de Viseu. Tenho as minhas origens nesta cidade, que considero a mais linda de todas.
Sou gémea de bolsas distintas. A minha mãe não teve tempo para se deslocar à maternidade, e a minha irmã nasceu em casa com a ajuda de uma parteira da aldeia, juntamente com a minha avó materna. Naquele tempo, os transportes eram escassos e o meu tio, irmão da minha mãe, como estava sempre por perto, levou-a para o hospital.
Duas horas mais tarde e já na maternidade, nasci eu e só nessa altura é que a minha mãe se apercebeu tinha tido dois bebés. Não há dúvida, que as novas tecnologias vieram fazer a diferença.
Passamos então a ser, quatro rapazes e três raparigas. Passados dois anos, com o nascimento de mais um rapazinho, a família ficou completa, oito filhos, com diferença de idade de cerca de 2 anos. Antigamente, era de tradição darem os nomes dos padrinhos aos afilhados. Tenho a felicidade de ter uma irmã gémea, e os nossos nomes foram escolhidos pela irmã mais velha. Se não o fosse, hoje teria o nome de Arlete, nome da minha madrinha
Apesar de o meu pai trabalhar como emigrante, não tivemos recursos suficientes para poder estudar, como éramos uma família grande, todos tivemos de trabalhar para ajudar a minha mãe. Penso que a ausência paternal fez com que eu lutasse para ser o que sou hoje.
A minha trajectória de vida esteve sempre em mudança. Quando sai da escola, (educação Informal) na altura não me preocupei muito, o método de ensino era severo e rigoroso. Só uma professora se diferenciou em relação às outras, professora Isabelina era assim que lhe chamávamos, era atenciosa e preocupada connosco. Foi então que ingressei no mercado de trabalho, com 12 anos de idade. Foi na restauração que me fixei mais tempo. Lidar com o publico não é fácil, mas dá-nos uma grande lição de vida. Aprendi a lidar com vários tipos de situações, o que fez com que eu começa-se a aprender a saber estar e a saber ser.
Já aos 18 anos, apercebo-me que o mundo mudava. Fiz o curso que me lançou para a criação e venda de publicidade. Actualmente, tudo o que foi aprendido ficou desactualizado, pois as novas tecnologias inovaram por completo a realização das mesmas. Mais tarde emigrei, na suíça conheci novas culturas e línguas, novos métodos de trabalho.
Nunca tive receio de me aventurar, de fazer algo de novo, de diferente. Aprendi muito com todas essas experiências. Hoje, devido à responsabilidade e a aprendizagem ao longo da vida, (educação não formal), as minhas escolhas são mais ponderadas.
A formação profissional actuou num espaço tridimensional, tenho consciência de que as vivências, as experiências e os conhecimentos que adquiri, foram muito importantes. E esta educação não formal reforçou a minha óptica de ver como é importante, a justiça social o respeito pelos direitos humanos e a tolerância. Esta formação ajuda-nos a conquistar relações mais ricas entre as pessoas. É uma educação para novas relações e para novas expressões do ser social.
Todos os trabalhos de grupo, ideias, actividades integradoras que realizei, fez crescer em mim uma motivação intrínseca, pois todas estas mudanças e exigências fizeram com que tivesse a necessidade de ter um pouco de conhecimento em todas as áreas, cidadania, cultura e tecnologias, Cada vez mais as empresas procuram profissionais multifuncionais, para conseguir vencer a grande batalha entre o sucesso e o fracasso, por isso, é preciso aperfeiçoarmo-nos de acordo com o mercado.
Durante as nossas vidas aprendemos a filtrar a emoções. Se pudesse viver de novo, daria mais afecto às pessoas queridas que já partiram, porque a saudade é demasiado longa.
E mudaria certamente o meu percurso escolar, porque a aprendizagem faz parte da vida.

O Meio Rural

CLC6

CV _ Cartas de apresentação

Culturas de urbanismo e mobilidade

Área de Competência: Base

Descrição da UFCD: CLC 6


• Recorre a terminologias específicas no âmbito do planeamento e ordenação do território, construção de edifícios e equipamentos.

• Compreende as noções de ruralidade e urbanidade, compreendendo os impactos no processo de integração socioprofissional.

• Identifica sistemas de administração territorial e respectivos funcionamentos integrados.

• Relaciona a mobilidade e fluxos migratórios com a disseminação de patrimónios linguísticos e culturais.

Portugal é um País de contrastes marcantes que se observam tanto na paisagem como no povoamento e no desenvolvimento económico. O relevo apresenta uma vigorosa oposição entre as duas metades separadas do rio Tejo. A Norte, mais montanhoso e com profundos vales, e a sul, dominado por planícies onduladas e bacias de depressão.
O curso do Tejo actua como uma linha diferenciadora entre duas realidades, a do Norte e a do Sul. A população portuguesa distribui-se de modo irregular no território, a densidade média de população é superior onde o clima e as características do solo favorecem historicamente a proliferação da agricultura e o povoamento, diminuindo para valores sensivelmente mais baixos no Sul.
São diferentes os usos impostos ao solo, aproximadamente um terço da superfície nacional é cultivável, a norte, o principal cultivo é a videira que produz vinhos de fama internacional e a Sul pelas regiões mais secas, predomina a oliveira, o trigo completando assim a trilogia mediterrânea.
A agricultura familiar guarda na sua trajectória histórica um importante papel no desenvolvimento económico e social dos países e regiões. Ela representa uma valorização dos consumidores aos produtos agro artesanais, estes produtos têm geralmente a representação de uma determinada marca, como é o caso de queijos, requeijão, doces, enchidos, produzidas em algumas regiões da Beira Alta. Com esse pano de fundo objectiva-se neste estudo qualitativo analisar a indústria rural como estratégia de reprodução da agricultura familiar, relacionando-a ao desenvolvimento local, moldando e transformando a forma destes, e estabelecendo relações de cumplicidade.
São diversos os tipos de ocupação do homem no território, tanto na dimensão como nas características. Cada cidade tem uma estrutura urbana que é construída por diferentes áreas funcionais diferenciadas conforme a predominância das funções. No núcleo da cidade concentram-se os serviços, tendo a sua volta o comércio, seguido da habitação e numa auréola mais exterior a indústria e bairros fronteiriços, sendo a sua maior funcionalidade o dormitório.
Nas regiões costeiras localizam-se as mais populosas cidades do país, Lisboa e Porto, que actuam como principais áreas receptoras da corrente migratória. A concentração de populações, fazia-se nas encostas por uma questão de defesa e também de comércio e transporte de produtos via marítima, enquanto no Norte interior, Braga, Coimbra e Viseu, entre outras, um dos motivos de atracção de populações era o caso das minas, matérias-primas ou fontes de energia. A riqueza natural que envolve a nossa cidade e que se espalha pelo concelho é digna de nota, proporcionando bons momentos ao ar livre. Tal, passa pela preservação das vias de comunicação propícias às caminhadas, proporcionando a todos um contacto com a natureza e com as culturas das regiões visitadas, sem esquecer a possibilidade do visitante desfrutar das actividades. Ambiente acolhedor, jardins, fontes, estátuas, sombras, convidam ao lazer, ao descanso, à reflexão e ao conhecimento da flora. A melhoria das vias de acesso, seja pela construção de novas estradas ou da implementação de novos meios de transporte, tais como o teleférico ajudam a atrair visitantes em busca do meio rural e urbano. Este movimento de pessoas, motivado por atracções turísticas e de lazer, não só é um privilégio para os visitantes como também o é para os agricultores, comerciantes e proprietários de restaurantes das zonas valorizadas, pois é tudo criado a pensar na vida dos cidadãos, não deixando de ser um atractivo para os visitantes que vêm do espaço urbano e pretendem conhecer o meio rural, desfrutando de umas férias relaxantes em contacto com a natureza. São locais como estes que fazem de Viseu um lugar tão especial para viver ou visitar e…descobrir!
A urbanidade está profunda e sistematicamente estudada. Das formas construídas à estrutura urbana, da economia aos aspectos sociais, a cidade foi analisada nas suas razões, princípios e vivências.
Nas zonas rurais, normalmente o povoamento é feito por casas à volta da Igreja, fonte que costuma situar-se na praça principal da aldeia ou vila, espaço relacionado e direccionado para o cultivo da terra e sendo esta o maior meio de subsistência. Sociologicamente predominam os fortes laços de parentesco, tendo a família, um significado social muito grande, e as óptimas relações de vizinhança constituem a base tradicional da solidariedade.
Vila Nova, terra de meus pais e avós, onde nasci e cresci, é ainda hoje, uma aldeia cheia de tradições.
As diferentes formas de estruturar a ocupação do espaço resultam de utilizações e de princípios diversos de agir no território. São vivências e maneiras de fazer características únicas.
Sendo Vila Nova uma aldeia do interior beirão, o seu clima pode-se considerar um tanto quente e seco no verão. Os invernos costumam ser rigorosos, com muita chuva, geadas e por vezes de neve, o que traz dores de cabeça aos pequenos agricultores.
Os pequenos agricultores existentes ocupam-se da produção para auto consumo de cereais (milho e centeio), batata, vinha, árvores de fruto e alguns terrenos de lameiro.
Existe também a actividade pecuária onde se insere o gado ovino, caprino e muar.
No que diz respeito à indústria, temos a serração, aviários, móveis e alumínios. O pequeno comércio também está presente como é o caso de cafés ou minimercados.
Hoje, com o progresso, este pequeno comércio vai-se acentuando cada vez mais devido aos sucessivos investimentos de capitais forasteiros
O Artesanato na nossa localidade é composto pelas flores de papel, as rendas os bordados e os cestos de vime.
Temos também o fabrico de mantas de farrapos em tear manual, o fabrico de broa de milho e os canastros (espigueiros).
Todas estas artes são feitas com muito “amor” por especialistas.
Um desses especialistas é a minha mãe, que ainda hoje faz uma broa de milho tão saborosa que não há igual.
Foi tradição, durante muitos anos que um dia por semana, juntavam-se no pátio de uma das casas da aldeia, um grupo de mulheres com a finalidade de cozinharem o pão de milho, a dita broa.
Carecemos de um projecto nacional que encare o nosso mundo rural como parte integrante da nossa riqueza, porque é a sua herança que nos faz únicos num mundo cada vez mais estandardizado e é aí que podemos encontrar as raízes da nossa identidade.
Um fenómeno observável é o movimento urbano que tende a alastrar-se no mundo rural onde não deixa de se dar o intercâmbio social, regional e nacional devido ao trabalho, à especialização das culturas, das facilidades de transportes, de todo o movimento que predomina na cidade.
Portugal conta hoje com uma população que ronda os dez milhões de habitantes. Apesar de ter sofrido alguns períodos de estagnação, (o episódio da gripe em 1918 que fez aumentar a taxa de mortalidade até 40%), a população duplicou durante o século XX. No entanto, esta tendência de alta viu-se compensada nos anos 60 com a emigração de um milhão de portugueses para os países mais desenvolvidos da Europa.
O sonho dos portugueses numa vida melhor passou a estar do outro lado da fronteira. Por necessidades económicas, de natureza social, religiosa e política, mais de um milhão e meio de pessoas sai de Portugal, perto de um milhão vai para a França, atravessam a Espanha e os Pirenéus clandestinamente, muitos deles instalam-se nos bairros de lata no periférico de Paris.
Naquele tempo as viagens demoravam meses, os transportes eram lentos e escassos e os emigrantes percorriam metade do globo para chegar ao local de trabalho.
Lembro-me, ainda era eu apenas uma criança, os meus irmãos emigrarem para a França clandestinamente, pois não conseguiam os documentos legais para lá poderem trabalhar, e quando nos escreviam a dar noticias, contavam como tiveram de passar as fronteiras a pé, pondo em risco a própria vida.
Por conseguinte, começava a face negra de todo o processo, a brutal exploração dos imigrantes ilegais. Não podendo recorrer às formas legais de emigração, eles viam-se obrigados a recorrer frequentemente a redes de mafiosos, cujo único objectivo era extorqui-los.
A actual legislação portuguesa sobre imigração, caracteriza-se por ser demasiada limitativa, por conseguinte estimula a exploração dos imigrantes ilegais. Calcula-se que existam mais de 100 mil imigrantes ilegais em Portugal.
Nos anos 80, numa altura em que Portugal mergulha numa profunda crise económica, assiste-se a um aumento da imigração ilegal, proveniente sobretudo de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e também de S. Tomé e Príncipe. Em meados dos anos 90, o problema dos imigrantes atingiu em Portugal tais dimensões, que o Estado começou a encarar o problema como uma questão nacional a resolver.
As maiorias destes imigrantes eram ilegais e começaram a fixar-se em barracas em Lisboa ou nas suas periferias. Mas onde há grandes aglomerados populacionais também há grandes problemas: As condições de acolhimento destes imigrantes foram as piores que se possam imaginar, agravando os problemas sociais, devido às degradantes condições de trabalho, habitação, assistência social, apoio social, apoio familiar e educativo. Também a necessidade de bens como infra-estruturas, equipamentos, transporte, saneamento básico, tudo o que é necessário para que uma população possa ter qualidade de vida. É chocante ao depararmos com o aumento da poluição que é directamente proporcional ao aumento da população.
È imperioso identificar e prever necessidades, definir objectivos, estabelecer programas e implementar projectos, visando acima de tudo, o que devem ser as suas preocupações de base: melhoria das condições de vida das populações, redução das assimetrias socioeconómicas regionais, utilização racional dos recursos existentes e minimização dos desequilíbrios ambientais.
O crescimento rápido destes bairros de barracas de imigrantes, a falta de condições mínimas, levou a que alguns desses bairros, sobretudo aqueles que se encontram à volta de Lisboa, se tornassem tristemente célebres pelas piores das razões – criminalidade, xenofobia, pobreza, tráfico de droga, violência, crime organizado. Um dos graves problemas é a diferença de oportunidades, o que promove a exclusão social, é essencialmente a falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros.
Os factores económicos podem ser decisivos na explicação de grande parte das situações de exclusão social, consequentemente também a dimensão económica da integração, assume uma importância crucial, quer na perspectiva da inserção, ou seja, o procedimento assumido pelos indivíduos e famílias, quer na da inclusão que é a mudança da sociedade que reforça e abre as oportunidades que oferece aos seus membros.
Em relação a este tema relatei uma vivência que tenho em anexo.
O homem só consegue sobreviver e realizar-se desde que integrado na sociedade, logo, é natural que a sua primeira preocupação seja em conseguir ser aceite no meio em que pretende viver. O homem e as instituições fizeram sempre relações públicas no sentido de obterem aceitação social e um dos processos indispensáveis de que ele se serviu para o conseguir, foi e continua a ser a comunicação. É através de uma língua que podemos comunicar com os outros.
A língua é uma forma de linguagem, um processo de signos vocais, que podem ser retratados graficamente, comum a um povo, a uma nação, a uma cultura e que constitui o seu instrumento de comunicação. No entanto, o próprio português falado em Portugal tem diferenças de região para região, como nos podemos aperceber por exemplo na pronúncia do Minho em relação ao Alentejo.
No que diz respeito ao uso linguístico apropriado para a inserção em contexto socioprofissional, elaborei cartas de apresentação e o Curriculum Vitae.
Analisámos alguns contos de Eça de Queirós, o conto “No Moinho”. Analisámos a história sobre a gestão de uma vida pessoal, (Aia), focalizando os seguintes domínios; meio, educação e hereditariedade. Estes três factores estão intrinsecamente conjugados sendo impossível avaliar qual o que tem maior influencia no individuo.
“Filho és pai serás, assim como fizeres assim acharás.” Este provérbio faz parte da cultura tradicional portuguesa, fala-nos genericamente da hereditariedade e da educação.

Esta é a letra de uma marcha que tem passado de geração em geração e é cantada e dançada pelos jovens em todas as festas populares que frequentemente se realiza em Vila Nova do Campo.

Canção de Vila Nova


Vila Nova, terra querida Anda prá frente
Oh ai, a terra onde eu nasci Sempre contente
És a terra dos encantos E nem sequer nos mandam parar
Oh ai, por isso gosto de ti Ai Vila Nova, ajardinada
Nasce do prado, sem se molhar

Vila Nova, terra do amor
Que tens no peito, tanta alegria
És a terra mais bonita
Pois tens no seio Santa Luzia

Fichas de leitura__Biografia Éça de Queirós